Melhores discos de 2005
É impossível resistir à tentação de compilar os melhores álbuns que eu ouvi nesse ano, que foi repleto de lançamentos sensacionais. Seguem abaixo os discos mais bacanas de 2005 (sem ordem):
The Saints - Nothing is straight in my house - Esse álbum da banda de Brisbane representa um exemplo raro de grupo veterano que volta a gravar e consegue atingir um resultado comparável à sua fase áurea. No caso do grupo aussie, os seus três primeiros e imbatíveis discos. Entretanto, Nothing is straight in my house é um trabalho que honra todos os méritos de um dos pilares da geração punk setentista. Até mesmo a produção tem cheiro daquela época. Chris Bailey está cantando muito e a conclusão é que essa volta do Saints com certeza deixará os seus seguidores - que não são poucos -, orgulhosos da sujeira promovida pelos velhinhos australianos.
Frank Black - Honeycomb - Honeycomb é o 10º cd de Frank Black, que supera o número de discos que ele gravou com o Pixies. Ao longo de cerca de 12 anos de carreira longe dos seus ex-companheiros de Boston, Frank Black se firmou como um dos maiores compositores de rock da atualidade, ao mesmo tempo que adicionava elementos e influências cada vez mais diversas ao seu som. Depois de lapidar a perfeição pop em seus dois primeiros álbuns e emular o rock estradeiro do Gun Club (com pitadas de folk) junto dos Catholics, o gordo entrega em Honeycomb um punhado de canções lentas e belas. Escudado por lendas como Steve Cropper, temos um disco de raízes country e contornos soul. Não foi à toa que Al Green participou dos backing vocals da regravação do clássico "The Dark End Of The Street".
The Deadly Snakes - Porcella - Ultimamente o Canadá é um dos países que revela mais bandas legais - e não estou falando do Arcade Fire. Se em 2004 o Death From Above 1979 foi responsável pela bomba sonora chamada You're a Woman, I'm a Machine, em 2005 a representação mais significativa ficou por conta de Porcella, quarto cd do The Deadly Snakes. O sexteto de Toronto, pertecente ao selo In The Red (casa de Dirtbombs e Bassholes), sempre foi associado à cena garage rock, mas Porcella inverte o jogo. Com pinta de álbum conceitual, produzido de maneira impecável e repleto de composições altamente elaboradas - a sonoridade de "Gore Veil", por exemplo, tem um quê de Odessey & Oracle, do Zombies -, Porcella é intrigante e inspirado. Daqueles discos que quando se menos espera, vicia. Com dois vocalistas de timbres bem distintos, Age of Danger (!) e Andre Ethier, a banda atinge extremos e consegue uma abrangência impressionante, passando por um soul de branco ("So Young and So Cruel") até um blues-gospel ("Let it all Go"), sem esquecer de suas raízes garajeiras ("Sissy Blues", que não faria feio em Exile on Main Street). Se essa lista tivesse ordem, Porcella estaria entre os cinco melhores álbuns do ano.
The Sights - The Sights - The Sights, o terceiro disco da banda americana, é daqueles raros trabalhos que não trazem uma única nota fora do lugar, um único deslize, enfim, é perfeito do ínico ao fim. A banda pertence à nobre linhagem de bandas contemporâneas que plugam a guitarra no passado mas em nenhum momento parecem revivalistas baratos e sebosos. É um desafio escolher os destaques num disco tão especial, mas a doçura beatle e o lindo solo de piano de "Baby's Knocking Me Down", as quebradas de ritmo em "Suited Fine" (Eliott Smith iria adorar essa) e a rockão glam de "Just Got Robbed" são apenas algumas das pérolas contidas no álbum. Um dos melhores discos não só de 2005, mas da década.
(continua...)
Escrito por Roberto Sôlha às 19h43
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Rocket Science - Eternal Holiday - Ainda desconhecidos, esse australianos representam tudo aquilo que falam do Strokes: frescor, tesão e altos ganchos. Eternal Holiday é rock bubblegum na essência, e chega a lembrar um Hives menos punk ("Modern Life"). Se o mundo fosse mais justo, a pérola pop "Sex Calls" teria dominado as hit parade em 2005 e embalado algum comercial de telefone celular.
The Rakes - Capture/Release - Não tem jeito de não se apaixonar por Capture/Release à primeira audição. A banda inglesa é tão precisa (“22 Grand Job”) e sabe tão bem como conquistar o ouvinte (“Open Book”) que o seu debut passa o mesmo vigor que o primeiro do Franz Ferdinand, por exemplo. É uma banda que também promete muito, assim como os rapazes de Glasgow.
Nação Zumbi – Futura - Em toda resenha sobre a Nação Zumbi, é um pouco difícil evitar certos lugares comuns, como mencionar as habilidades guitarrísticas de Lúcio Maia e o fato do grupo ter conseguido superar a morte de Chico Science numa boa. Futura é a continuação perfeita de Nação Zumbi, a obra-prima de 2002. Porém, é mais psicodélico e menos percussivo. A faixa-título representa a Nação Zumbi hoje: envolta em camadas de guitarras viajantes e sombrias e com marcação forte da caixa da bateria. Não sei por quê, mas me passa a impressão de ser música de macumba do, hã, futuro.
Heavy Trash – Heavy Trash - Jon Spencer tirou uma folga da sua Blues Explosion e montou o Heavy Trash com o guitarrista Matt Verta-Ray. Menos rocker, porém mais billy, o disco é a pedida certa pra sacudir qualquer festinha white trash.
Paul Weller - As Is Now - Abrigado na Yep Rock, uma das melhores gravadoras da atualidade (lar de ninguém menos que Reverend Horton Heat e do próprio Heavy Trash), Paul Weller gravou um belíssimo disco de rock. Talvez o maior cantor inglês vivo, o ex-líder do Jam continua escrevendo canções memoráveis, seja de teores soul ("Here´s The Good News") ou rocks convencionais ("Paper Track").
Menções honrosas:
Franz Ferdinand - You Could Have it... Nic Armstrong and the Thieves - The Greatest White Liar The 88 - Over and Over Fantomas - Suspended Animation Queens Of The Stone Age - Lullabies to Paralyze NIN - With Teeth BRMC - Howl Cobra Verde - Copycat Killers COC - In The Arms of God Jamie Lidell - Multiply Makers - Everybody Rise National - Alligator Spoon - Gimme Fiction Supergrass - Road to Rouen
Escrito por Roberto Sôlha às 19h37
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